A freguesia de Santo Amaro

A freguesia de Santo Amaro é mais conhecida pela construção naval, ou não fosse esta pequena localidade – a mais pequena da Ilha do Pico – considerada “o Estaleiro Naval dos Açores” até finais do século XX: foi da arte da construção naval santamarense que, durante mais de um século, nasceram centenas de embarcações de pesca de pequeno e médio tamanho, traineiras e atuneiros, e os maiores e mais famosos iates e barcos de transporte de passageiros e de cargas que navegaram inter-ilhas dos Açores até finais do século XX. Ainda persistem alguns atuneiros da Frota Azul.

Atualmente, Santo Amaro também é muito procurado pelos apreciadores de artesanato, já que é onde foi fundada a única Escola Regional de Artesanato dos Açores, contando ainda com artesãos que desenvolvem trabalho na área dos vimes e das miniaturas em madeira.

Atualmente, a freguesia de Santo Amaro tem cerca de 300 habitantes, dos cerca de 4.000 que residem no concelho de São Roque do Pico.

Como personalidades e entidades de destaque, naturais desta pequena freguesia destacamos:
- Amaro Justiniano de Azevedo Gomes (nascido no século XIX). Capitão de Mar e Guerra (1908) da Armada Portuguesa; Ministro da Marinha e do Ultramar do 1.º Governo Provisório da 1.ª República Portuguesa, presidido pelo também açoriano Manuel de Arriaga.
- Manuel de Azevedo Gomes (nascido no século XIX), irmão de Amaro Justiniano de Azevedo Gomes. Prestigiado Capitão de Mar e Guerra da Armada Portuguesa, tendo recebido várias condecorações nacionais e internacionais. Foi também esposo da Alice Hensler, tendo como sogros Elise Hensler e o Rei D. Fernando II de Portugal.
- Manuel Paulo da Silveira (nascido no século XIX). Halterofilista, tricampeão e recordista mundial no início do século XX.
- João Jorge Silveira e Paulo (nascido no século XIX) irmão de Manuel Paulo da Silveira. Comendador e líder da importante roça de cacau da família Silveira e Paulo Colónia Açoreana da Ilha de São Tomé. Edificou o Palacete Silveira e Paulo na cidade de Angra do Heroísmo (Ilha Terceira), actual sede da Direção Regional da Cultura.
- Barão de Santo Amaro (nascido no século XIX). Benemérito santamarense que fez fortuna no Brasil, e pagou a construção da escola da freguesia.
- Vigário Santos Pereira da Terra (nascido no século XIX). Para além da sua actividade religiosa, foi o grande responsável e impulsionador de obras de grande importância para a freguesia, nomeadamente a construção do Porto de Santo Amaro, a 1.ª canalização de água de nascente feita na ilha; a obra do muro de suporte da Maré que incluiu a construção de um poço de maré.
- Baltazar Luís Sarmento (nascido no século XIX). Professor de instrução primária que foi o responsável pela freguesia de Santo Amaro ser a primeira do país onde foi abolido o analfabetismo.
- Manuel Inácio Nunes (nascido no século XIX). Construtor naval sediado na cidade de Sausalito, Califórnia, Estados Unidos da América, constituiu uma famosa sociedade de construção naval juntamente com o seu irmão António Nunes Bros. Construtores de afamadas embarcações, entra as quais o iate ZACA, que entre outros proprietários, chegou a pertencer ao famoso ator de Hollywood - Errol Flynn.
- Construtores Navais: Manuel Bento, José Teixeira da Costa, Manuel Joaquim de Melo, Júlio Nunes de Matos, José Melo, Norberto Melo, João Alberto Neves, José Adriano Romano, António Carlos Melo, e João Paulo Simas. Carpinteiros, empreendedores e líderes, responsáveis por Santo Amaro ser considerado o “Estaleiro Naval dos Açores” desde finais do século XIX até finais do século XX, e ainda com remanescências nos dias de hoje.
- Casal “Evelina & Cristiano da Rosa” (século XX e XXI). Evelina da Rosa é natural de Santo Amaro. Juntamente com o esposo – Cristiano da Rosa (natural de São Roque), foram grandes armadores e fundadores da pesca do atum em San Diego, Califórnia, Estados Unidos da América, juntamente com outros imigrantes açorianos e madeirenses.
- Sociedade Filarmónica Recreio Santamarense. Fundada em 1946 e mantém actividade na área de música de bandas filarmónicas e escola de música.
- Escola Regional de Artesanato de Santo Amaro. Fundada nos anos 80 do século XX. Foi a primeira e única escola de artesanato fundada nos Açores. Mantém a execução de rendas, bordados, chapéus, e trabalhos em escama de peixe e casca de milho.
- Casa do Povo de Santo Amaro. Fundada após o 25 de Abril de 1974. Mantém actividade na área do apoio social a idosos.
- Operário Futebol Clube. Clube de Futebol que existiu desde os anos 50 até final do século XX.

Voltando à história da Ilha do Pico. Começou a ser povoada em meados do século XV. Em termos geológicos, é a ilha mais jovem do arquipélago dos Açores, e por isso aquela que tem menos solo produtivo, o que desde sempre a tornou uma ilha bela e sublime, mas difícil de se viver nela.

Desde os seus primórdios esta ilha ficou destinada à produção de vinho, e lenha, por serem estas as culturas que melhor se adaptaram à sua morfologia e geologia. Aliás, a produção de vinho, no seu auge em meados do século XVIII até meados do século XIX, foi a actividade económica mais rentável dos Açores.

A partir de meados do século XIX, com o declínio da vitivinicultura devido ao ataque de fungos aos quais as videiras e figueiras não resistiram, a Ilha do Pico volta a afirmar-se numa nova actividade: a caça à baleia. Até 1986, data em que foi capturada a última baleia nos Açores por imposição das leis internacionais, esta era uma actividade económica com um grande peso na economia local e regional.

Atualmente, a Ilha do Pico tem como principais actividades económicas a agricultura e pecuária, a pesca, e mais recentemente o turismo.

O Pico conta com pouco mais de 14.000 habitantes (2011), sendo que o seu número tem vindo a decrescer desde finais do século XVIII, época em que foram contabilizados cerca de 30.000 habitantes. O envelhecimento da população, e a imigração dos jovens para outras ilhas dos Açores, e para outras partes do mundo em busca de emprego, são os principais fatores responsáveis pela diminuição da população.